Revolução na edtech via MOOC? Vídeo-aulas?

Já em 1828 e não somente no século 21 que decidiram fazer um teste de educação que revolucionaria a universidade: o aprendizado através da tecnologia.

A então University of London testava as cartas como nova tecnologia e criava uma intensa disputa sobre quem podia ensinar e quem podia certificar o conhecimento que hoje imaginamos ser dado por uma faculdade.

Depois das cartas vieram o rádio, a tv, os cds e dvds e a internet, entre outros. O ensino em massa não é novo assim como a visão de que uma tecnologia nova mudará a estrutura regulada que é o ensino superior.

O ensino superior mudou muito a sua cara pela abertura do ramo a instituições privadas, transformando a educação em um produto. Esse é um resultado visível que vemos e consumimos hoje, portanto como consumidores pensamos nos benefícios que esse produto nos trás.

Por outro lado, será que o uso mais primitivo das tecnologias revoluciona a educação? Os MOOCs digitalizaram e disponibilizaram inicialmente de forma gratuita diversas aulas de faculdades. Boas e ruins. De professores bons e ruins. Fora o acesso remoto, o que mais mudou?

No passado, uma faculdade chegou a adotar MOOCs como tecnologia e meio para seu curso, cancelando o projeto 6 meses depois, após o resultado de reprovação extrema por parte dos alunos. Assim como em uma faculdade comum, a taxa de alunos assistindo as aulas por crédito cresceu, mas a taxa de reprovação foi muito mais alta.

O que os criadores dos MOOCs nos prometem como uma revolução na educação através da digitalização de aulas. Pode ser que haja uma revolução como produto, mas novamente a tecnologia parece não ser o foco principal se queremos revolucionar a educação. Parece ser importante repensar o que e como queremos educar, e não o modelo da tecnologia que usaremos.

Nos MOOCs, o que mudou na didática dos professores, ou na taxa de aprendizado dos alunos? Se não há mudança no curso, a inovação é meramente tecnologica, e não de educação.

Paulo Blikstein, professor de Stanford e estudioso da educação ironiza tal descoberta:

“So videotaping lectures and putting them online DID NOT revolutionize the world of education?”

Em tradução livre

“Então gravar aulas e colocá-las online NÃO revolucionou o mundo da educação?”

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