Boas intenções são suficientes em EdTech

Zuckerberg, um empreendedor de sucesso financeiro e midiático, não erraria feio. Essa é a imagem que temos desses grupos de empreendedores, seja por terem aparecido como pessoas mais influentes do mundo pela Forbes ou outras mídias, ou como grandes empreendedores de sucesso financeiro.

A jornalista Dale Russakoff mostra em seu livro que os 100 milhões investidos pelo criador do Facebook não mudaram a realidade da educação, e foram jogados fora.

Zuckerberg. 100 milhões investidos em Newark... perdidos?
Zuckerberg. 100 milhões investidos em Newark… perdidos?

Claro, ele não é o primeiro doador milionário ou bilionário a ter um bom coração, até mesmo boas ideias, e investir em educação. Diversos filantropistas que não conseguiram mudar a realidade que apostaram. Outros aprenderam com os erros deles e fizeram melhores escolhas.

Existem indicações que, em alguns casos, o ego e a motivação de quem está tomando a decisão é onde mora o erro. Mas também existem ambições demasiadas que atrapalham o caminho. Pensar em uma tecnologia inovadora para a educação pode ser um começo, mas se a equipe de execução for de pessoas que somente acreditam naquilo, após meses ou anos de desenvolvimento, o resultado pode ser um produto engessado que não se encaixa com a realidade local, uma falha de didática que famosos como Paulo Freire já abordavam.

Outras causas para investimentos do genero falharem? Problema de escopo generalistas demais ou objetivos grandiosos que podem até mesmo gerar um enorme número de usuários gratuitos (o muito discutido modelo freemium), publicações frequentes na mídia citando esses milhões de ususários, sem comentar sobre seus clientes pagantes.

Depois de um tempo, sem encontrar uma fonte de renda estável, as rodadas de investimentos acabam, cortes são feitos e a empresa é vendida a um preço simbólico, um dólar.

O autor do artigo publicou um livro onde discute diversos investidores que fizeram o papel de “palhaço da sala de aula”, em situações onde mesmo que com boas intenções, executaram projetos que acabaram sem alcançar seus objetivos. Em geral são empresas que viraram pó.

Em um outro caso, uma empresa polêmica nos Estados Unidos. Theranos é uma empresa de biotech investida por diversos, possui Elizabeth Holmes como empreendedora. Ela foi reconhecida pela Fortune e pela Forbes como influenciadora. Apareceu em diversas mídias, obteve suporte e holofotes de diversos, até ser questionada pelo impacto real de sua empresa no mercado. As falhas das empresas que investiram? Uma empreendedora fanática por seu produto, sem um board que dominasse a área de conhecimento (no caso, medicina) entre outros.

Na verdade, as grandes investidoras do Vale do Silício não colocaram dinheiro na Theranos. Mas muitas outras colocaram, mesmo sem ter supervisão de alguém especialista da área. Há muito o que investidores de edtech podem aprender com os erros cometidos ao investir na Theranos. Cada falha no setor de medicina implica em pessoas que tiveram sua saúde possivelmente deteriorada. Cada empresa que falha na educação pode significar crianças e adultos que tiveram uma educação ruim. Se o produto era ruim, a consequência é direta, um aprendizado ruim. Se o produto era razoável, o dinheiro poderia ter sido melhor utilizado.

Claro, em toda falha o importante é aprender. E é isso que, segundo os autores citados, parece que alguns dos investidores não tem feito: aprender com as falhas anteriores.

Aqueles que criam políticas de educação e fazem grandes investimentos tem que aprender com essas lições. Uma empresa ou investimento de sucesso em edtech não exige somente uma boa ideia e um bom empreendedor.

Uma mensagem de Knee? É mais importante executar direito e estar maleável ao que é seu produto educacional, do que ser o dono da verdade e virar pó.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *