Edtech: dashboards demais, ações de menos

Vindo de um background de desenvolvimento de software e criação de produtos, uma das maiores dificuldades que enfrentamos é de nos colocar nos sapatos do cliente, para entender quais suas necessidades reais.

Em edtech o problema é o mesmo. Ferramentas podem ser criadas por ótimos empreendedores, mas as mesmas não são úteis se não resolverem os problemas reais de um professor, aluno, escola etc.

Enquanto isso todos eles estão tentando resolver seus problemas, das mais variadas formas. Foi assim que um grupo de professores dos Estados Unidos usaram a tecnologia mais comum para resolver problemas de dados: uma planilha (no caso, o Google Spreadsheets) que os ajuda. Além de terem criados outras soluções baseadas em documento de texto com links, e outras planilhas.

Todo ano centenas de seus alunos fazem uma prova geral através da qual os professores ficam sabendo como está o desempenho deles na matemática. Por exemplo, no fim do ano letivo o aluno Guilherme do sétimo ano obteve pontuação X, que significa que ele está terminando com conhecimento equivalente ao quinto ano. Já o aluno Carlos terminou o sexto ano com pontuação equivalente ao sétimo ano.

O professor consegue ver os dados de que áreas da matemática o aluno está tendo mais dificuldade, e comparar seus resultados com os do ano passado. Muitos dados. Muitos muitos dados. Muitos gráficos.

Mesmo que muitos dados sejam mostrado em um dashboard lindo, dado demais, gráfico demais significa lixo demais. Imagine que 5% dos dados que você tem em suas mãos são realmente úteis e fáceis de agir em cima deles. Se você tem 100 dados, gasta um dia, passa pelos números e age em cima de 5 deles. Se você tem 1.000.000 de dados e gráficos, quanto tempo vai precisar para trabalhar esses 5%?

E mesmo que encontre os 5% que pode agir, como recomendar exercícios customizados para cada um dos seus 100 alunos de matemática? Você sabe que o Guilherme está atrasado em um assunto, e o Carlos em outro. Agora tem que buscar os exercícios para cada um deles, não só os dois, os 100.

E isso será feito todos os anos, por todos os professores de um conjunto de escolas.

Os professores são adultos e motivados: cada um já estava tentando resolver seu problema de indicação de exercícios extras.Claro, um evento que fomenta a análise de dados ajuda! Bom, o conteúdo de matemática básica já esta disponível na Khan Academy. A customização em larga escala de uma lista de exercícios é a parte difícil.

Juntando as ideias e os trabalhos de diversos professores, Jennie Dougherty criou uma planilha onde cada um entra com uma tabela simples, o nome do aluno e o resultado dele na prova. A tabela cria uma lista de exercícios customizada para cada um dos alunos.

Não foi preciso instalar servidor web, contratar agência de UX ou procurar capital de investimento. Não é preciso olhar dezenas de gráficos para selecionar um que parece interessante pois os dados “batem” (que inclusive pode ser um erro de análise de dados!).

Em poucos minutos o professor tem uma lista de ações a serem tomadas para cada um de seus alunos. Não possui milhares de dados, mas uma única lista a ser entregue para cada aluno.

Esse é o resultado de transformar milhares de dados em ações. E muitas vezes partem dos próprios professores, atentos a suas necessidades.

A próxima vez que olharmos aqueles dashboards lindos, com gráficos maravilhosos e infinidades de dados, vale a pena nos perguntarmos: queremos milhares de dados ou queremos uma ação?

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