Aula chata? Wearables e devices na educação

Já tem algum tempo que as universidades experimentam wearable e devices similares na educação. Já em 2007 foi lançada a Virtual Eve, capaz de entender suas expressões faciais e seus movimentos de braço, se adaptando ao seu ânimo.

Se você demonstrasse confusão, ansiedade ou falta de atenção? A tutora inteligente se adapta. Se você não se identificou com a persona pedagógica (afinidade), ela se adapta.

Mesmo com tais tutores inteligentes criados já em 2007, o “futuro” ainda não chegou e nossos alunos continuam assistindo aulas com quase a mesma tecnologia.

Isso não impede novos pesquisadores de irem além, ou de empreendedores acreditarem que novos devices vão, agora sim, definir o (novo) futuro da educação.

Marguerite McNeal, editora do EdSurge, descreve diversas dessas novas tentativas.

No mundo real não precisamos de wearables para detectar um aluno dormingo, mas mesmo assim diversos professores não mudam seu estilo de ensino.

Será que agora, com a internet das coisas e tantos wearables disponíveis, nossos tutores reais e virtuais realmente se adaptarão aos nossos alunos?

Talvez antes de focar nos dados coletados pelo wearable fosse interessante focar em o que o professor deve fazer com tais dados.

Netflix da educação? Não, obrigado.

O Netflix popularizou os algoritmos de “recomendação”. Mesmo que eles já fossem utilizados ao extremo ao entrar em uma página de produto da Amazon, por exemplo, foi a Netflix que trouxe a fama para outras áreas de negócio que não o ecommerce.

Vendo o gigante dos filmes online crescer surgiram diversas empresas nas mais diversas áreas ávidas por usar big data, o cloud e algoritmos de recomendação para “personalizar o produto ao cliente” – um ato que pode ser exagerado.

Jay Lynch, pesquisador da Pearson, levanta a bola e discute qual o objetivo da personalização?

Com a recomendação, o Netflix quer transformar jovens viciados em séries de tv em pessoas emancipadas, com esclarecimentos filosóficos adquiridos através da exposição a culturas e pensamentos diferentes em filmes que abordam tais pontos? Ou eles querem fazer o cliente feliz em assistir coisas que gosta?

O próprio Facebook com seu feed de notícias enfrenta a mesma questão: o objetivo do feed é te ajudar a ser uma pessoa crítica mostrando pontos políticos distintos e formando uma comunidade que pondera melhor sobre pontos filosóficos da vida em sociedade? Ou mostrar o máximo de posts que você vai gostar, ficar feliz, “engage”, dar like e compartilhar?

Repare que não há mal nenhum na missão das duas empresa. Ambas são mídias de entretenimento e tem como objetivo entreter.

E uma escola? O objetivo é deixar o aluno feliz, clicando e voltando? Ou o objetivo é criar uma mente crítica, capaz de tomar decisões sozinho?

Para clientes do Netflix, um filme bom é medido em uma escala subjetiva ao indivíduo. Para clientes do Facebook, posts de amigos também. Cursos possuem um claro objetivo, nada subjetivo: o aluno aprendeu algo valioso para sua vida?

Entender a situação de vida do aluno, seu contexto social e econômico (o domínio onde está inserido), seus limites atuais e o que o move (seu “drive”) são fundamentais no ensino.

Será que ao dizerem Netflix eles querem dizer “uma grande quantidade de conteúdo”? Para isso não precisamos de novos investimentos, conteúdo em quantidade já existe no youtube, itunes U etc.

Seria a recomendação de cursos então? É possível e interessante, podemos analisar alunos, professores e cursos também – mas learning analytics existe faz muito tempo.

Segundo o autor, personalizar envolve a pessoa: algo que as empresas que se entitulam “Netflix da educação” não estão focando. Tudo indica que o termo é tão poderoso como ferramenta de marketing para escrever notícias em jornais que a própria empresa onde o pesquisador trabalha anunciou 1 mês depois que quer ser a próxima Netflix da educação. Conflito?

A próxima vez que escutar “Netflix da educação”, reflita: você quer cursos em quantidade? Recomendações?

Ou qualidade de ensino?

O mercado de educação não parece precisar de uma Netflix.

E onde estão as empresas e os investimentos que falam “não temos inteligência artificial nem data mining, mas a qualidade de nossos cursos vai te surpreender”? O orgulho de edtech parece estar em tech, esqueceram do ed?